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Cafeína no Esporte

Café
O ciclo do café, lá pelos anos 50 no Brasil fez e desfez fortunas e a polêmica em torno desse fruto, cujo arbusto é originário da Arábia, sempre existiu. Estimula? Vicia? É doping? Faz mal à saúde? O que comprovam as pesquisas fidedignas.

Estudos dos alemães Runge - 1820, Duma e Pelletier - 1823 serviram de base para seus sucessores Pfaff e Liebig - 1832, entre outros, chegarem à conclusão de ser a cafeína estimulante do sistema nervoso central, muscular e principalmente do músculo cardíaco.

No trabalho, as grandes empresas há muito descobriram uma forma de estimular os empregados, servindo água gelada e, "cafezinho" quatro vezes ao dia como forma de estimular a produtividade. Sabe-se também ser uma das características da cafeína estimular temporariamente as faculdades mentais, dando inclusive ao corpo mais energia e resistência à fadiga. Reunião não começa sem ele. Quantos graduandos já não passaram noites estudando para provas sustentados por café?

Na África, a noz de cola, (semente de uma árvore da família das esterculiáceas), que contém cafeína, é mascada por colonos e lavradores com objetivos de retardar a fadiga.

Já os índios Maués, nas suas caçadas, usavam as sementes do guaraná para aumentar a resistência, diminuir a sede e a fome por alguns dias. A cafeína está presente também nas folhas de chá, chegando a quatro por cento, nas sementes do guaraná com seis, no cacau de três a quatro, contra 0,5 a dois por cento nos grãos do nosso vilão.

Embora existam ainda muitas controvérsias com relação à cafeína no esporte, o fato é que ela vem sendo testada como recurso ergogênico em diversas modalidades esportivas com resultados mais promissores nas provas de resistência. Ficou por exemplo demonstrado que a ingestão de dois miligramas de cafeína por quilo de peso, aumentou de 53 para 63 minutos a resistência ao exercício considerado intenso. Com quatro miligramas, chegou-se a 73 minutos; e com seis miligramas, a resistência caiu para 57 minutos, ainda superior aos 53 minutos sem o estimulante.

Pelo menos três teorias envolvem a ação da cafeína. A primeira no sistema nervoso central afetando a percepção subjetiva do esforço. A segunda seria a mobilização e ou a facilitação de recrutamento de íons de sódio e potássio resultando na melhora e mais rápida contração muscular. A terceira, envolve a mobilização de ácidos graxos livres e glicerol fazendo o organismo utilizar maior quantidade de gordura como fonte principal de energia. Essa teoria pode explicar, em parte, o rendimento na endurance.

Entre as diversas formas do uso da cafeína, a preferida por atletas é a via oral por ser uma substância rapidamente absorvida alcançando um pico de concentração na corrente sangüínea entre 30 e 120 minutos após a ingestão. (Lima, 1989). Estudo comparando ingestão de cafeína em cápsula ou contidos em líquidos, ficou demonstrado melhor resultado no primeiro, principalmente na endurance. Parte da substância é eliminada pela urina e concentração acima de 12 microgramas por milímetro era considerado "doping". Em 1º de janeiro de 2004 a Agência Mundial antidoping retirou da lista de substâncias controladas ou restritas e transferida para a de substâncias monitoradas pelo fato de que a cafeína pode proporcionar um estímulo no esporte, mas sozinha, a nível mundial não chega a decidir uma medalha Olímpica. As mulheres, por questões hormonais retêm uma quantidade maior no organismo.

Outro fato importante no resultado é a questão do sujeito estar acostumado ao uso da cafeína. Os habituais bebedores de café sentem menos os efeitos ergogênicos da substância.

Bom, pelo sim, pelo não, se você não tem o hábito de tomar café, não o faça pensando em melhorar a performance ou a sua inteligência. Ele vicia, pode prejudicar o estômago, elevar a freqüência cardíaca basal e a pressão arterial.

O efeito conhecido como "cafeísmo" é o outro lado da moeda. O abuso do chá ou café pode ainda provocar irritação nervosa ou gástrica, insônia, arritmias cardíacas e, segundo o Dr. Osmar de Oliveira, diminuir no organismo a oferta de vitaminas "C" e complexo "B", com as respectivas conseqüências. Tais como, vulnerabilidade às infecções das vias respiratórias. Como a cafeína também pode promover maior volume de urina eliminada (diurese), existe remotamente, o risco da desidratação, embora não haja registro médico significativo do fato ter ocorrido.

Bom, como pouco não faz mal, que tal um cafezinho agora?

Literatura Sugerida:
[1] ALTIMARI, L.R.; Cyrino, E.S.; Zucas, S.M.; Okano, A.H.;Burini, R.C. Cafeína: ergogênico nutricional no esporte. Rev. Bras. Ciên. e Mov. 9 (3): 57-64, 2001. Disponível em: http://www.ucb.br/mestradoef/rbcm/downloads/a8v9n3.pdf Acesso em: 6/07/04
BRAGA, Luciana Carvalhal; ALVES, Mariana Pace. A cafeína como recurso ergogênico nos exercícios de endurance. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v. 8, n. 3, p. 33-37, jul. 2000. Disponível em:
http://www.eefd.ufrj.br/deptos/bio/gpcaf/cafeina.htm;
http://www.boletimef.org/?canal=12&file=564 Acesso em: 26/07/04.
CASTRO, Rafael Braune. Cafeína II. Disponível em: http://www.riorunners.com.br/cafeina2.asp;

Créditos:
Texto copyright © 2003 por Luiz Carlos de Moraes CREF/1 RJ 003529
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